Lima, Gercina Ângela de.2026-04-112015https://ceprecri-ds.eci.ufmg.br/handle/123456789/122O presente trabalho tem por objetivo verificar as tendências de pesquisa na área de Organização do Conhecimento (OC) no Brasil. Porém sentiu-se necessidade de, primeiramente, esclarecer essas características e sobreposições existentes entre as áreas, porque as temáticas de pesquisas estudadas na literatura poderão ter abordagens vindas tanto das áreas da Classificação, quanto da Organização do Conhecimento e da Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI). A área de organização do conhecimento tem suas raízes históricas na base teórica da classificação. A Classificação pode ser vista como uma área de conhecimento, a qual classifica o conhecimento filosófico, que se inicia com o modelo categorial proposto por Aristóteles; e como classificação bibliográfica que possui processos e instrumentos para representar conteúdo temático de documentos e aumentar a eficácia na recuperação de informações. As duas abordagens da classificação procuram ligar teoria e prática nos estudos e pesquisas realizadas dentro da área da Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI). Tal como a Classificação, a Organização do Conhecimento (OC) é considerada, também, uma área do conhecimento e uma atividade, e ambas são consideradas áreas nucleares no âmbito da BCI. De acordo com Dalhberg (2006), a Organização do Conhecimento como área de conhecimento tem sua história ligada à criação da International Society of Knowledge Organization (ISKO), em 22 de julho de 1989. Dalhberg (1993) esclarece 671 que o termo organização do conhecimento já tinha sido utilizado nos titulos das obras de Henry Evelyn Bliss, The Organization of Knowledge Organization and the system of the science, e The Organization of Knowlodge Organization in Libraries, publicados, respectivamente, em 1926 e 1936. Essa expressão foi utilizada, também, no titulo da tese de Dagobert Soergel, intitulada Organization of knowledge and documentation (1971), defendida na Alemanha, e na tese da propria autora, que foi publicada sob o título Foundation of Universal Organization of Knowledge. O periódico internacional Knowlodge Organization (KO), publicado sob a responsabilidade da ISKO, começou a ser publicado em 1993, substituindo o periódico International Classification, que foi publicado de 1974 a 1992. Dalhberg (1993) explica que os membros da ISKO decidiram que o conceito “classificação” seria, a partir daí, interpretado como um método de classificação, que agrupa objetos semelhantes. Porém, o periodico Knowledge Organization traz como missão a divulgação de trabalhos que representem contribuições para o desenvolvimento de novos conhecimentos sobre a teoria do conceito, classificação, indexação e representação do conhecimento. Nota-se, portanto, que as áreas Classificação e Organização do Conhecimento são muito próximas, tanto no embasamento teórico, quanto em suas atividades práticas. McIlwaine e Williamson (1992) afirmam que algumas áreas que são pesquisadas não são tão novas como se supõe, pois a teoria e princípios da Classificação serão sempre fundamentais para todos os aspectos da organização do conhecimento. Hagar Gomes (2009), em seu trabalho “Tendências da pesquisa em organização do conhecimento”, aponta que: Percebe-se, então, que a OC é uma área de múltiplas aplicações. As pesquisas especificamente na área apontam para, no mínimo, dois aspectos importantes: de um lado, a abordagem teórica-filosófica voltada para questões epistemológicas ao analisar um domínio juntamente com as aplicações na organização de sistemas/tabelas de classificação e, de outro lado, os métodos empregados na elaboração propriamente dita dos sistemas, atividades que alguns autores consideram suplementar, mas que tem suas bases teóricas já sedimentadas (GOMES, 2009, p.63). A autora acrescenta, ainda, que a área da organização do conhecimento é muito próxima da Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI), dado que aponta 672 para a ideia de que a própria literatura ainda confunde as bases teóricas de cada área, e não tem definido claramente quais atividades estão inseridas somente em uma delas, ou se estão todas relacionadas. Talvez seja por isso que Smiraglia (2005, 2006), editor do periódico Knowlodge Organization, demostra sua preocupação quando aponta “[...] what precisaly KO is [...] although many have written about it.”, (2005. p..139) demonstrando, assim, que ainda não existe um consenso geral sobre a definição da área, voltando à discussão inicial de quando KO era originalmente chamada de Classificação. Outra observação que deve ser feita se refere à utilização dos termos organização do conhecimento (OC) e organização da informação (OI), que têm sido usados em diferentes contextos, por diversos autores da área. Bräscher e Café (2010) apresentam um estudo sobre a utilização desses termos dentro da área da Ciência da Informação (CI). As autoras concluem que tal maneira de se utilizar os termos demonstra a falta de delimitação do conceito em questão, e afirmam que: Por vezes, o termo organização do conhecimento é utilizado no sentido de organização da informação, e vice-versa e, em determinadas situações, empregam-se os termos conjuntamente, organização da informação e do conhecimento. (BRACHER; CAFÉ, 2010, p.85). Na visão das autoras, existem dois tipos de processos de organização: a organização da informação que tem o objetivo de descrever as características físicas e conceituais dos objetos informacionais, próximos às atividades realizadas em bibliotecas e centros de documentação; e a organização do conhecimento que visa à criação de modelos que representam as unidades de conhecimento de um determinado domínio, de acordo com suas características. Assim, elas apontam que, Esses dois processos (OI e OC) produzem, consequentemente, dois tipos distintos de representação: a representação da informação, compreendida como o conjunto de atributos que representa determinado objeto informacional e que é obtido pelos processos de descrição física e de conteúdo, e a representação do conhecimento, que se constitui numa estrutura conceitual que representa modelos de mundo. (BRACHER; CAFÉ, 2010, p.93). Pode-se dizer, então, que esses dois processos se complementam, pois, enquanto na área de OI ocorre o processo de representação do conteúdo de um documento especifico, o qual tem o conhecimento registrado, para que ele seja 673 posteriormente recuperado pelo usuário em um Sistema de recuperação da Informação (SRI), a OC organiza o conhecimento a partir da modelagem de domínios, representando sua estrutura com base na descrição de conceitos e dos relacionamentos semânticos entre eles. As estruturas geralmente são criadas com o auxílio de especialistas da área, que validam o conhecimento ali organizado a partir de suas expertises. Nesta pesquisa foram considerados os trabalhos que tratam das tendências de pesquisa na área de Organização do Conhecimento, sem, no entanto, diferenciá-los dessas outras áreas, pois, em muitos títulos dos trabalhos publicados, não existe uma padronização, conforme já foi relatado na literatura. Para mapear estas tendências, propôs-se primeiramente, fazer uma breve revisão sobre a pesquisa na área de OC, buscando-se artigos de periódicos e anais de eventos nacionais e internacionais, sem a pretensão de uma busca exaustiva. Portanto, salienta-se que o resultado da pesquisa bibliográfica teve seu recorte temporal entre os anos de 1993 e 2015. Para o levantamento bibliográfico foram utilizadas as seguintes expressões, em português e em inglês, na estratégia de busca: tendências de pesquisa em organização do conhecimento, pesquisa em organização da informação, organização e representação da informação no Brasil, ensino e pesquisa em ciência da informação, current trends in Knowlede Organization, Knowledge Organization research, trends in classification research.ptOrganização do conhecimento: pesquisa e desenvolvimentoArticle