Organização do conhecimento: pesquisa e desenvolvimento
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Date
2015
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Abstract
O presente trabalho tem por objetivo verificar as tendências de pesquisa na
área de Organização do Conhecimento (OC) no Brasil. Porém sentiu-se necessidade
de, primeiramente, esclarecer essas características e sobreposições existentes entre
as áreas, porque as temáticas de pesquisas estudadas na literatura poderão ter
abordagens vindas tanto das áreas da Classificação, quanto da Organização do
Conhecimento e da Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI).
A área de organização do conhecimento tem suas raízes históricas na base
teórica da classificação. A Classificação pode ser vista como uma área de
conhecimento, a qual classifica o conhecimento filosófico, que se inicia com o modelo
categorial proposto por Aristóteles; e como classificação bibliográfica que possui
processos e instrumentos para representar conteúdo temático de documentos e
aumentar a eficácia na recuperação de informações. As duas abordagens da
classificação procuram ligar teoria e prática nos estudos e pesquisas realizadas
dentro da área da Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI). Tal como a
Classificação, a Organização do Conhecimento (OC) é considerada, também, uma
área do conhecimento e uma atividade, e ambas são consideradas áreas nucleares
no âmbito da BCI.
De acordo com Dalhberg (2006), a Organização do Conhecimento como área
de conhecimento tem sua história ligada à criação da International Society of
Knowledge Organization (ISKO), em 22 de julho de 1989. Dalhberg (1993) esclarece
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que o termo organização do conhecimento já tinha sido utilizado nos titulos das obras
de Henry Evelyn Bliss, The Organization of Knowledge Organization and the system
of the science, e The Organization of Knowlodge Organization in Libraries, publicados,
respectivamente, em 1926 e 1936. Essa expressão foi utilizada, também, no titulo da
tese de Dagobert Soergel, intitulada Organization of knowledge and documentation
(1971), defendida na Alemanha, e na tese da propria autora, que foi publicada sob o
título Foundation of Universal Organization of Knowledge.
O periódico internacional Knowlodge Organization (KO), publicado sob a
responsabilidade da ISKO, começou a ser publicado em 1993, substituindo o periódico
International Classification, que foi publicado de 1974 a 1992. Dalhberg (1993) explica
que os membros da ISKO decidiram que o conceito “classificação” seria, a partir daí,
interpretado como um método de classificação, que agrupa objetos semelhantes.
Porém, o periodico Knowledge Organization traz como missão a divulgação de
trabalhos que representem contribuições para o desenvolvimento de novos
conhecimentos sobre a teoria do conceito, classificação, indexação e representação
do conhecimento. Nota-se, portanto, que as áreas Classificação e Organização do
Conhecimento são muito próximas, tanto no embasamento teórico, quanto em suas
atividades práticas.
McIlwaine e Williamson (1992) afirmam que algumas áreas que são
pesquisadas não são tão novas como se supõe, pois a teoria e princípios da
Classificação serão sempre fundamentais para todos os aspectos da organização do
conhecimento.
Hagar Gomes (2009), em seu trabalho “Tendências da pesquisa em
organização do conhecimento”, aponta que:
Percebe-se, então, que a OC é uma área de múltiplas aplicações. As
pesquisas especificamente na área apontam para, no mínimo, dois
aspectos importantes: de um lado, a abordagem teórica-filosófica
voltada para questões epistemológicas ao analisar um domínio
juntamente com as aplicações na organização de sistemas/tabelas de
classificação e, de outro lado, os métodos empregados na elaboração
propriamente dita dos sistemas, atividades que alguns autores
consideram suplementar, mas que tem suas bases teóricas já
sedimentadas (GOMES, 2009, p.63).
A autora acrescenta, ainda, que a área da organização do conhecimento é
muito próxima da Biblioteconomia e Ciência da Informação (BCI), dado que aponta
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para a ideia de que a própria literatura ainda confunde as bases teóricas de cada área,
e não tem definido claramente quais atividades estão inseridas somente em uma
delas, ou se estão todas relacionadas. Talvez seja por isso que Smiraglia (2005,
2006), editor do periódico Knowlodge Organization, demostra sua preocupação
quando aponta “[...] what precisaly KO is [...] although many have written about it.”,
(2005. p..139) demonstrando, assim, que ainda não existe um consenso geral sobre
a definição da área, voltando à discussão inicial de quando KO era originalmente
chamada de Classificação.
Outra observação que deve ser feita se refere à utilização dos termos
organização do conhecimento (OC) e organização da informação (OI), que têm sido
usados em diferentes contextos, por diversos autores da área. Bräscher e Café (2010)
apresentam um estudo sobre a utilização desses termos dentro da área da Ciência da
Informação (CI). As autoras concluem que tal maneira de se utilizar os termos
demonstra a falta de delimitação do conceito em questão, e afirmam que:
Por vezes, o termo organização do conhecimento é utilizado no
sentido de organização da informação, e vice-versa e, em
determinadas situações, empregam-se os termos conjuntamente,
organização da informação e do conhecimento. (BRACHER; CAFÉ,
2010, p.85).
Na visão das autoras, existem dois tipos de processos de organização: a
organização da informação que tem o objetivo de descrever as características físicas
e conceituais dos objetos informacionais, próximos às atividades realizadas em
bibliotecas e centros de documentação; e a organização do conhecimento que visa à
criação de modelos que representam as unidades de conhecimento de um
determinado domínio, de acordo com suas características. Assim, elas apontam que,
Esses dois processos (OI e OC) produzem, consequentemente, dois
tipos distintos de representação: a representação da informação,
compreendida como o conjunto de atributos que representa
determinado objeto informacional e que é obtido pelos processos de
descrição física e de conteúdo, e a representação do conhecimento,
que se constitui numa estrutura conceitual que representa modelos de
mundo. (BRACHER; CAFÉ, 2010, p.93).
Pode-se dizer, então, que esses dois processos se complementam, pois,
enquanto na área de OI ocorre o processo de representação do conteúdo de um
documento especifico, o qual tem o conhecimento registrado, para que ele seja
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posteriormente recuperado pelo usuário em um Sistema de recuperação da
Informação (SRI), a OC organiza o conhecimento a partir da modelagem de domínios,
representando sua estrutura com base na descrição de conceitos e dos
relacionamentos semânticos entre eles. As estruturas geralmente são criadas com o
auxílio de especialistas da área, que validam o conhecimento ali organizado a partir
de suas expertises.
Nesta pesquisa foram considerados os trabalhos que tratam das tendências de
pesquisa na área de Organização do Conhecimento, sem, no entanto, diferenciá-los
dessas outras áreas, pois, em muitos títulos dos trabalhos publicados, não existe uma
padronização, conforme já foi relatado na literatura.
Para mapear estas tendências, propôs-se primeiramente, fazer uma breve
revisão sobre a pesquisa na área de OC, buscando-se artigos de periódicos e anais
de eventos nacionais e internacionais, sem a pretensão de uma busca exaustiva.
Portanto, salienta-se que o resultado da pesquisa bibliográfica teve seu recorte
temporal entre os anos de 1993 e 2015.
Para o levantamento bibliográfico foram utilizadas as seguintes expressões, em
português e em inglês, na estratégia de busca: tendências de pesquisa em
organização do conhecimento, pesquisa em organização da informação, organização
e representação da informação no Brasil, ensino e pesquisa em ciência da informação,
current trends in Knowlede Organization, Knowledge Organization research, trends in
classification research.
